É permitido músicas protestantes dentro da Santa Missa?

Salve Maria,

O vídeo é muito interessante e muito oportuno principalmente nos tempos de hoje em que em algumas (se não inúmeras) Igrejas particulares paroquiais, se "inventam" músicas e colocam qualquer tipo de canto que dizem ser "litúrgicos". Quão seria bem proveitoso se esse vídeo fosse mostrados à maioria número possível de ministérios de músicas e corais (se possível à todos esses grupos). Vale à pena assistir.


Segue a fala do Pe. Paulo Ricardo por escrito:

A música executada na celebração da Santa Missa, como tudo que envolve esta celebração – centro da vida do cristão católico – não é qualquer música, portanto, não pode ser escolhida aleatoriamente. A Igreja, ao longos dos seus dois mil anos de História, sempre teve especial atenção aos cânticos e músicas executadas nas mais diversas celebrações, especialmente na Santa Missa. O Catecismo da Igreja Católica dedica os números 1156, 1157 e 1158 a explicar a importância do canto e da música para a liturgia:
"A tradição musical da Igreja universal constitui um tesouro de valor inestimável que se destaca entre as demais expressões de arte, principalmente porque o canto sacro, ligado às palavras, é parte necessária ou integrante da liturgia solene. (…) O canto e a música desempenham sua função de sinais de maneira tanto mais significativa por estarem intimamente ligadas à ação litúrgica, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos movimentos previstos e o caráter solene da celebração. Participam assim da finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis. (…) Todavia, os textos destinados ao canto sacro hão de ser conformes à doutrina católica, sendo até tirados de preferência das Sagradas Escrituras e das fontes litúrgicas.”
Ora, o texto do CIC é bastante claro no sentido de que a Igreja possui a música como patrimônio e este não deve ser jogado fora. Não é possível deixar de lado esse tesouro em detrimento de músicas que estão “na moda”. É preciso perceber que o canto e a música colaboram para que o fiel mergulhe no mistério da celebração e aproxime-se do centro que é Deus. O Papa Bento XVI, em sua exortação apostólica Sacramentum Caritatis é ainda mais objetivo quando diz:
“Na sua história bimilenária, a Igreja criou, e continua a criar, música e cânticos que constituem um patrimônio de fé e amor que não se deve perder. Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; a propósito, é necessário evitar a improvisação genérica ou a introdução de gêneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia. Enquanto elemento litúrgico, o canto deve integrar-se na forma própria da celebração; consequentemente, tudo — no texto, na melodia, na execução — deve corresponder ao sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos litúrgicos. Enfim, embora tendo em conta as distintas orientações e as diferentes e amplamente louváveis tradições, desejo — como foi pedido pelos padres sinodais — que se valorize adequadamente o canto gregoriano, como canto próprio da liturgia romana.”
Assim, percebe-se que a música e o canto não podem ser escolhidos sem critérios, deve-se respeitar o sentido da liturgia, que é adorar a Deus, fazendo memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso sair do antropocentrismo e devolver a Deus, seu lugar no centro da celebração.
De forma prática, necessário se faz considerar ainda que nem todo católico possui formação adequada para perceber eventuais erros teológicos ou mesmo heresias que possam estar inseridas em músicas protestantes. É um mal que pode e deve ser evitado. Seguro, então, é caminhar pela vereda apontada pelo Doce Cristo na Terra, o Papa Bento XVI: preservar o patrimônio de fé e de amor que é a música e o canto sacros, utilizando-os e focando na formação dos músicos, “valorizando adequadamente o canto gregoriano, como canto próprio da liturgia romana”.
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